Último dia do Santos Film Fest é marcado com muito bate-papo, filmes, workshops, música e premiação

O 8º – e último dia – do Santos Film Fest foi repleto de bate-papo, exibição de filmes, workshop, música, cerimônia de encerramento e premiação.
No bate-papo com realizadores, participaram: os cineastas Lívia Sampaio (“Tranças”), Filipe Ruffato (que divide a direção do curta-metragem “Sofia” com Gonçalo Viana), Flávio Colombini (“Surpresas”), Victor Percy (“Um Dia Frio”), Diego da Costa (de “Caubóis do Apocalipse” junto com a atriz Yara Guzman que participa da produção) e Mana Garcia (“A Canção do Tempo”.
“Tranças” (Mostra Humanidades) é um documentário autobiográfico traz o tema da alienação parental através do olhar carinhoso de uma avó brasileira abruptamente afastada da sua neta argentina depois da separação conjugal de seu filho. Lívia Sampaio relata o que a motivou a rodar o filme: “… eu sempre digo que eu fiz o filme como um ato de rebeldia, né? Eu tava meio sem saída nesse afastamento com a questão da minha neta. Eu moro em Salvador, Bahia. Ela mora no interior da Argentina… E teve um momento aí que barraram tudo, eu não conseguia ver, não conseguia nada, e foi quando eu escrevi um artigo num jornal… sobre alienação parental, sem citar nomes de mãe, de ninguém, e lá no interior me denunciaram por violência doméstica, ameaçaram me prender, foi um horror, porque eu escrevi um artigo dizendo que eu não podia tocar nesse tema. Aí eu fiz como um ato de rebeldia, aí eu falei: ‘Ah, eu não posso tocar nesse tema? Então, eu vou fazer um filme!’ ”.
“Sofia” (Mostra Competitiva de Curtas) é um trabalho realizado num único e ousado plano-sequência, onde vemos desdobrar medos, incompreensões, preconceitos, ânsias e desejos. Sendo que todos esses sentimentos e muitos outros ainda surgem e desaparecem nas entrelinhas do não dito. Um belíssimo olhar sobre a nossa precária condição humana. Filipe Ruffato explica o que o motivou no projeto: “… o universo feminino me encanta muito como matéria de aprendizado, sabe? Porque eu, enquanto homem, sei que eu nunca vou saber o que é ser uma mulher. E eu não me coloco também nesse papel… Então, é uma relação completamente diferente e isso é encantador, sabe, esse olhar feminino é muito interessante…”
“Surpresas” (Mostra Competitiva de Curtas) mostra uma mulher andando sozinha à noite na cidade e sendo seguida por um homem. Ela foge dele, mas acaba encurralada em uma rua sem saída. Flávio Colombini conta como foi a preparação do filme: “… quando a gente foi gravar no primeiro dia, eu tinha feito um ensaio com os atores e tinha feito um storyboard pra planejar o que que eu ia gravar. Então são filmes que a gente faz, muito assim, na louca, não é uma coisa super bem planejada, nem nada…”
“Um Dia Frio” (Mostra Competitiva de Curtas) é um filme com toques de filme noir e passa-se em Michigan, Detroit, em 1954 e mostra um detetive que é convocado para investigar o assassinato de uma mulher. Victor Percy explica como foi o processo de realização do filme: “… como a gente não tinha experiência com animação 2D, tentamos pensar no jeito mais prático pra gente trazer esse realismo pra trama, então utilizamos uma técnica chamada rotoscopia, que era utilizada nos estúdios Disney… nos primórdios da animação. Que era observar imagens reais para trazer maior naturalidade pra animação. No nosso caso, a gente fez um ensaio fotográfico com os atores… pra gente criar a movimentação do personagem nós fizemos todas as fotos e desenhamos por cima, já que não tínhamos uma base de como fazer uma animação 2D…”. E Percy fala sobre a influência do gênero noir na trama: “… pra trabalhar com o NOIR a gente tentou pegar muita referência desse ‘luz e sombra’ que eles tem muito presente, que dá esse contraste do preto e do branco…”
“Os Caubóis do Apocalipse” (Mostra Hoje é Dia de Rock, Bebê) narra a história de Tom, um jovem que está passando pelos clássicos dilemas da adolescência e sonha fazer carreira na música, com sua banda que dá título ao filme. Diego da Costa explica os desafios de rodar seu primeiro longa-metragem: “…o problema maior de ser o primeiro filme, no meu caso, é de querer fazer algo como estava na minha cabeça, isso é o maior aprendizado, coisa que não existe, né? Quando você não tem orçamento, e aí você tem que aprender a se adaptar e relaxa um pouco mais”.
Yara Guzman, atriz da produção, explica como a realização de “Os Caubóis” foi um processo coletivo: “O longa se deu como uma ação entre amigos, porque a gente não tinha muita grana… então foi uma forma diferente do que a gente estava acostumado a trabalhar no nosso dia a dia, mas foi muito legal. Teve pouca equipe porque, enfim, a gente também, a logística é complicada, até para ir pra Socorro (SP), onde ficar, tudo mais, então a gente acumulava muita função e ao mesmo tempo se ajudava demais, então foi um processo muito assim: ação entre amigos! E que eu acho que isso vai para tela, sabe? Está lá, impresso…”
, “A Canção do Tempo” (Mostra Hoje é Dia de Rock Bebê) é um documentário musical sobre a busca por melodias numa selva missionária. Mana Garcia explica como foi rodar o longa documental: “… a produção aconteceu de forma natural: o grupo… ia gravar um novo disco e me pediu para acompanhá-los. Fui com uma equipe extremamente reduzida com 3 pessoas e eles começaram a fazer a produção…”
Além do bate-papo com realizadores, o último dia do 5º Santos Film Fest contou com o workshop “Marketing do Audiovisual”, com Audrey Duarte, a exibição dos filmes “Servidão” e “Um Presente à Prova de Futuro” (ambos da Mostra Competitiva de Longas), um happy hour musical com Rogério Baraquet e premiação.
Os premiados dessa 5ª edição do Santos Film Fest foram:

– Troféu Toninho Campos – Melhor Longa-Metragem – Júri – “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” (SP), de Pablo Lopes Guelli
– Troféu Toninho Campos – Melhor Curta-Metragem – Júri – “Sofia” (Portugal), de Filipe Ruffato e Gonçalo Viana
– Troféu Toninho Campos – Melhor Direção de Longa-Metragem – Júri – Pablo Lopes Guelli
– Troféu Toninho Campos – Melhor Direção de Curta-Metragem – Júri – Marília Nogueira (“Angela”)
– Troféu Toninho Campos – Melhor Curta-Metragem – Voto Popular – “Um Dia Frio” (PR, animação/drama, de Victor Percy
– Troféu Toninho Campos – Melhor Longa-Metragem – Voto Popular – “O Samba é Primo do Jazz” (RJ), de Angela Zoé
– Troféu Toninho Campos – Melhor Filme Baixada Santista – Júri – “Vila dos Pescadores” (Santos), Cintia Neli da Silva Inacio e Geovanne Rafael V. da Silva
– Troféu Toninho Campos – Melhor Direção Baixada Santista – Júri – Thomas Aguina (“Projeção”, Praia Grande)
– Troféu Toninho Campos – Melhor Filme Baixada Santista – Voto Popular – “Blandina” – Santos, drama, de Arthur Micheloto
– Menção Honrosa Filme de Caráter Humanitário – “Selvagem”, SP, de Diego da Costa

  • Menção Honrosa Filme de Caráter Humanitário – Voto Popular – “Tranças”, BA, de Livia Sampaio
  • Melhor Filmes de Rock (voto popular do Blog n Roll) – “A Plebe é Rude”, de Hiro Ishikawa e Diego da Costa
  • Menção Honrosa Melhor Filme Estrangeiro – “A Canção do Tempo” (Argentina, El Canto Del Tiempo, longa, documentário, de Mana García)
  • Menção Honrosa Melhor Filme Estrangeiro – Voto Popular – “Sofia” (Portugal), de Filipe Ruffato e Gonçalo Viana

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