Santos Film Fest chegando à reta final com muito bate-papo, filmes e música

O 7º – e penúltimo – dia do 5 Santos Film Fest teve diversas atividades normativas e culturais como: bate-papos, workshop, exibição de filmes e apresentação musical.
O bate-papo com realizadores contou com a presença dos cineastas: Marcela Morê (documentário “Rosa Vênus”), Antônio Fargoni (curta-metragem “No Oco do Tempo”), Larissa Nepomuceno (documentário de curta-metragem, “Seremos Ouvidas”), Diego da Costa e da atriz Erica Ribeiro (ambos do filme “Selvagem”).
“Rosa Vênus” (Mostra Humanidades) foi gravado durante 1 mês no México, uma produção independente. Na viagem foi apenas a cineasta Marcela Morê e atriz do filme (também chamado Marcela, mas que a cineasta se refere como Marcel). Dorê explica o processo de produção do documentário: “… a gente (eu e Marcel) tinha uma breve ideia do que gostaria de ter no filme, mas sem um roteiro limitado, então, estávamos bem abertas a tudo que acontecesse na viagem: personagens reais que iam aparecendo pra gente, que nos tocava de alguma forma, então incluíamos essas pessoas no filme, fazendo essa interação com a nossa personagem”.
No curta-metragem, “No Oco do Tempo” (Mostra Competitiva de Curtas), o protagonista Pedro Jeremias é um cangaceiro que tem como arma o papel e a caneta. Ele vive em paz, mas suas palavras incomodam os homens: “o filme foi gravado no final de novembro de 2018, então, acredito que ele tenha muito esse sentimento de nós artistas, naquele momento…, né? Enfim, acho que o filme está muito nesse lugar, nesse sentimento e, parte disso, dessa coisa, dessa angústia que a gente estava sentindo. A gente é artista, né? Eu criei essa narrativa, com esse cangaceiro que, para mim, ele é… a figura do cangaceiro é a maior representação de resistência, então, é uma grande metáfora esse personagem que está ali, sozinho, isolado escrevendo…”, analisa Fargoni sobre o seu filme.
No documentário de curta-metragem “Seremos Ouvidas”, três mulheres surdas com realidades diferentes, compartilham suas lutas e trajetórias no movimento feminista surdo: “… a maioria das pessoas não sabe, mas libras é diferente de português. Então, mesmo a forma de escrever é diferente. Por isso quando uma pessoa surda que não é fluente em português vai ler um texto em português, é muito possível que ela não vá entender o contexto. E quando se trata de uma entrevista ou filme, isso piora, porque se não falar em libras, a pessoa que não é fluente em português não vai nem conseguir compreender as legendas. Então, a gente tem que pensar que para as mulheres surdas, não tem empoderamento sem acessibilidade. Aí, quando eu entendi isso, eu pensei: ‘Nossa! Eu tenho que fazer! Porque não é só sobre escrever textos, sobre feminismo ou colocar legenda nos filmes, a gente precisa de um conteúdo que seja voltado para a comunidade surda…”.
No documentário de curta-metragem “Seremos Ouvidas”, três mulheres surdas com realidades diferentes, compartilham suas lutas e trajetórias no movimento feminista surdo: “… a maioria das pessoas não sabe, mas libras é diferente de português. Então, mesmo a forma de escrever é diferente. Por isso, quando uma pessoa surda que não é fluente em português vai ler um texto em português, é muito possível que ela não vá entender o contexto. E quando se trata de uma entrevista ou filme, isso piora, porque se não falar em libras, a pessoa que não é fluente em português não vai nem conseguir compreender as legendas. Então, a gente tem que pensar que para as mulheres surdas, não tem empoderamento sem acessibilidade. Aí, quando eu entendi isso, eu pensei: ‘Nossa! Eu tenho que fazer!’. Porque não é só sobre escrever textos, sobre feminismo ou colocar legenda nos filmes, a gente precisa de um conteúdo que seja voltado para a comunidade surda…”, explica a cineasta Larissa Nepomuceno.
“Selvagem” (Mostra Humanidades) que trata de uma mobilização estudantil que aconteceu em SP em 2015 foi um projeto repleto de desafios para ser realizado, como explica o diretor, Diego da Costa: “… o maior desafio de todos foi trabalhar no tempo que a gente tinha, que é 10 vezes menos do que um longa-metragem tem”. A atriz do filme, Erica Ribeiro fala da relevância dos temas abordados no longa: “(‘Selvagem’) é uma história que, principalmente nos tempos atuais, a gente precisa falar muito, que a gente está sempre resistindo. A gente está sempre lutando pelos nossos ideais e não só por isso, pelos nossos direitos, principalmente direitos básicos que é a educação. Sem a educação a gente não vai pra frente, a gente não progride. Você quer dar liberdade e você quer potencializar pessoas, dê conhecimento. Sem conhecimento, a gente não consegue avançar”.
A dupla Cintia Neli da Silva Inácio e Geovanne Rafael V. da Silva, diretores do documentário “Vila dos Pescadores” (Mostra Regional Baixada Santista) não conseguiram participar do bate-papo devido a problemas técnicos.
Também aconteceu o o workshop “O Documentário como Expressão”, com a cineasta Andrea Pasquini e o bate-papo “Atuação para Iniciantes: Dicas Práticas”, com os atores Luciano Quirino e Ondina Clais, padrinhos do festival. Quirino fala sobre as oportunidades que não se deve desperdiçar para descobrir um dom artístico: “… quando der, vai. Apareceu? Vai! Santos Film Fest? Vai! Você tem que estar! Pra você conhecer, pra você saber, pra você ter referência. Você, nesse montante, vai ter muita coisa que você vai gostar, outras não. Outras vão te servir pra te nortear no que que você quer fazer. ‘Pô, eu sempre gostei do cinema, mas oh, cadê que eu gosto mais de escrever, roteirizar, né? Que eu gosto mais de fotografia, vou ser fotógrafo’. Ou então se você gosta, se você é do tablado, se você é do metiê artístico, pode ser que você não sirva para ser ator, mas vai ser escritor, figurinista, cenógrafo, iluminador, enfim. Saca? Viver nesse Universo, trabalhar pra isso, onde a nossa indústria ela só está crescendo…”
Os filmes exibidos foram: “Servidão”, de Renato Barbieri e “Um Presente à Prova de Futuro”, de Eduardo Rajabally (ambos da Mostra Competitiva de Longas).
O 7º dia do Santos Film Fest terminou com o happy hour musical com o Coletivo Teremin.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: