Bate-papo sobre a retomada do cinema nacional e exibição de filmes em competição são alguns dos destaques do 5º dia do Santos Film Fest

O 5º dia do Santos Film Fest 2020 começou com bate-papo com realizadores.

Com a participação de Gabriel Vilela (que divide a direção com José Eduardo no documentário “Não tem Arrego”), Bruna Santos e Dalila Ramos (que participam da Oficina Querô e dividem a direção do documentário “Mulheres de Fé”), Rafael Lobo, co-diretor do curta-metragem “Luiz Humberto: O Olhar Possível” (que divide a direção com a falecida, Mariana Costa), Bernardo Barreto (diretor de “O Buscador”, que participou do bate-papo junto com o ator Pierre Santos) e Angela Zoé (que dirigiu “O samba é Primo do Jazz”, documentário sobre a trajetória musical da cantora Alcione).

Participando da Mostra Humanidades no festival, Gabriel Vilela, conta como foi sua experiência de dirigir: “…’Não tem Arrego‘ foi fruto de uma cobertura que a gente fez (em 2015) da ocupação das escolas que teve aqui em Goiás. A gente estava toda semana filmando os acontecimentos, acompanhando as ocupações. A gente ia para lá e registrava o dia-a-dia dessas ocupações durante todo o movimento. Desde o início até o final desse processo de ocupação…”.

Dirigindo seu primeiro filme, o documentário “Mulheres de Fé” (Mostra Regional Baixada Santista), as jovens Bruna Santos e Dalila Ramos que participam da Oficina Querô relataram como foi a escolha da temática do projeto: “… Quando a gente foi na Parada [LGBTQ+] a gente viu que não queria falar sobre católicas ou sobre evangélicas. A gente queria falar sobre mulheres de fé, pessoas religiosas que, por sua fé, fazem o que elas fazem. Lutam pelas coisas que elas acreditam…”, explicou, Bruna.

Sobre a importância do tema abordado, Dalilla discorre: “…Eu quero que as pessoas se sintam acolhidas porque eu sei que tem muita gente por aí, que passa por esse problema de não conseguir se encaixar onde elas querem entrar num ambiente… E esse documentário [“Mulheres de Fé”] é para falar por elas: ‘vocês não estão sozinhas. Vocês conseguem passar por isso´…”.

Rafael Lobo, co-diretor de “Luis Humberto: O Olhar Possível” (Mostra Competitiva de Curtas), relata como o filme começou: “ … O trabalho de fotografia do Luis Humberto foi parte do trabalho da monografia de formação da Mariana (Costa, diretora do documentário) na Universidade de Brasília” e complementa sobre a importância de se conhecer o trabalho do biografado em seu filme: “… É muito importante conhecer o trabalho desse fotógrafo que dedicou mais de 50 anos da vida dele à fotografia, então, realmente, é um trabalho magnânimo, que merece um reconhecimento e acho que, no filme, a gente visou tentar alcançar o máximo possível o Brasil para que as pessoas pudessem conhecer o Luis Humberto”.

Diretor de “O Buscador” (Mostra Competitiva de LKongas), Bernardo Barreto, explica como surgiu a ideia do projeto:´O Buscador´ nasceu da minha experiência em comunidades. Eu sempre tive essa curiosidade, esse intuito de trabalhar profundamente… Aí eu conheci vários lugares alternativos onde as pessoas estavam buscando coisas além do que a gente está vivendo, do nosso dia-a-dia, dessa coisa meio automática, de expectativa da vida, de trabalho, de conquistas, de objetivos. Algumas coisas bem cerebrais, numa época em que eu estava um pouco frustrado com as coisas à minha volta, o que eu tinha construído para minha vida. Eu comecei a desenvolver o projeto a partir dessas experiências e desse lugar eu via, também, o Brasil do lado de fora, com tudo o que estava acontecendo politicamente. Na época, era o impeachment da Dilma, mas na verdade, o filme fala de uma divisão que estava acontecendo no País, e continua, entre a esquerda e a direita … e o outro lado que é aonde isso acontece dentro da nossa casa. Então, eu fiz as escolhas, desenvolvi um projeto que tinha os arquétipos dessa família burguesa brasileira…”.

O ator de “O Buscador”, Pierre – que veio do grupo de teatro “Nós do Morro’, projeto do Morro do Vidigal, na zona Sul do RJ – relata o maior desafio ao participar do filme: “O desafio maior foi a coisa do plano-sequência. Eu já tinha algumas experiências de plano-sequência, mas não o filme inteiro. Com o plano-sequência se carrega uma responsabilidade, que não tem espaço para erro”.

Angela Zoé (que está com quatro de seus documentários numa retrospectiva dedicadas à sua obra no festival esse ano) já havia feito um especial sobre Alcione para a TV (chamado “Eu sou a Marrom”) e explica o que a motivou a fazer o documentário “o Samba é Primo do Jazz”, sobre a cantora Alcione, a Marrom, após o especial na TV:

“Eu tive uma curiosidade interna de onde vinha aquela voz, de onde vinha aquelas nuances, aqueles matizes… Vocês vão ver no documentário é exatamente trajetória dela. Da onde vem as influências musicais, da onde vem todo esse ensino e essa capacitação que ela tem de ser uma musicista completa. Ela lê música, ela entende música, ela ouve quando uma coisa está fora do tom e ela corrige”.
Além do bate-papo com realizadores, o 5º dia do Santos Film Fest contou com exibição de diversos filmes: “Nós, Que Ficamos”, “Nossa Bandeira Jamais será Vermelha”, “O Buscador” e “O Samba é Primo do Jazz” (todos os quatro da Mostra Competitiva de Longas), “Henfil”, “Meu Nome é Jacque”, “Betinho – A Esperança Equilibrista”, “Ele era Assim: Ary Barroso” (todos da Retrospectiva Angela Zoé).

Também aconteceu um bate-papo, “A História da Retomada do Cinema Brasileiro”, com o crítico Waldemar Lopes, que comentou sobre muitos filmes nacionais desde a retomada do cinema brasileiro em 1995, Um dos filmes de maior destaque desse período foi “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, dirigido por Carla Camurati e Waldemar explica o êxito do filme com o público:

“Esse filme (“Carlota Joaquina”) trouxe de volta, em grande número, o povo brasileiro para as salas de cinema… ele trouxe 1.400.000 espectadores. Então, esse filme representou a volta do amor do público brasileiro com o cinema. O filme agradou em cheio a população brasileira. E o por quê? … Primeiro: tem um elenco muito famoso e que o público gosta demais que é a Marieta Severo e o Marco Nanini… E esse filme mostra uma química muito grande entre esses dois atores. E também temos Beth Goulart, Ney Latorroca, Thales Pan Chacon, Vera Holtz, Marcos Palmeira… Um elenco muito famoso. As pessoas se motivaram muito pelo título, que era um filme histórico e dirigido pela Carla Camurati”.

Sobre as diferenças entre o cinema americano e brasileiro, Waldemar, analisa: “A gente fica pensando muito no cinema americano quandoa gente fala em cinema, as nossas influências pelo cinema americano são tão grandes, mas tem um motivo: o cinema americano é um cinema de indústria. Um cinema forte e firme. Muitas pessoas acham que o cinema nacional não precisa de apoio do governo, que pode fazer levantamentos individuais como é nos Estado Unidos, mas nos EUA é um país diferente, é um país desenvolvido, um país que consome filmes porque ali sim a indústria se implantou e nunca estremeceu, né? São situações diferentes entre os países…”

E o quinto dia de festival, também contou com um happy hour musical, a apresentação do Coletivo Teremin.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: