Paulo Betti é vítima de fake news e fala sobre momento do cinema brasileiro

O ator Paulo Betti vem sendo alvo de grupos de ódio e de criação de Fake News partindo de radicais que apoiam o atual presidente Jair Bolsonaro. Tais grupos usam estratégias como ameaças e notícias falsas para tentar minar a credibilidade de qualquer um que se posicione como oposição ao governo.

Em um momento onde escândalos são sufocados em redes de enganação, o desmonte do país segue a galope, tanto economicamente quanto com a destruição de riquezas naturais, a base aliada ao governo parece ainda se preocupar mais em calar aqueles que se posicionam a favor do país sob um falso pretexto de patriotismo, como se criticar ou questionar o governo fosse algo impensável.

Paulo Betti sempre foi um grande pensador e um grande defensor da democracia, que a cada dia é mais abandonada pelo governo vigente. Figura importante para a cultura e o cinema nacional, o ator deu algumas opiniões sobre a situação do país a alguns dias atrás, mostrando sua sensibilidade e desejo de melhora.

Santos Film Fest: Como você descreveria o momento da retomada do cinema com os acontecimentos atuais, onde as situações parecem ser similares para o audiovisual?

Paulo Betti: A situação é similar em alguns aspectos, mas em outros, a situação é pior do que a daquele momento, porque o desmonte do Collor foi real, existiu, mas era uma coisa possível de ser enfrentada. Agora, a coisa é mais complicada, porque é uma luta declaradamente de perseguição, mas ao mesmo tempo é um momento rico, de novas perspectivas de comunicação. São similares em suas adversidades, mas cada uma tem especificidades e hoje me parece mais difícil.

SFF: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou nesses meses de quarentena por conta pandemia?

PB: Estar vivo é o maior desafio. No começo da pandemia eu estava em portugal e interrompi uma excursão com uma peça de teatro, voltei ao Rio de Janeiro e a partir deste momento começou o grande desafio, vamos dizer assim, de se manter vivo, tentar de todas as formas não pegar a doença e de não transmití-la, ficar quarentenado é o grande desafio.

SFF: Vivendo em uma situação de desvalorização da cultura, como você acredita que poderíamos ser resistência nesse momento? Quais atitudes a classe deve tomar para se manter?

PB: Eu tenho impressão que nós estamos em um campo de batalha, onde temos que lutar com todas nossas armas, em todas as direções. São tantas lutas que nosso tempo não conta. Temos a luta das florestas, com a destruição da amazonia. Nós temos que nos opor e ser resistência as atitudes insanas do Ministério do Meio Ambiente, olha que doidera! Nós temos que lutar contra o Ministério do Meio Ambiente. Tem outras muitas, estão querendo taxar os livros por exemplo. O desmonte que está acontecendo exige tanta luta que eu vejo quase como uma batalha campal, uma luta que nós fazemos com ética, sendo que nós não trabalhamos com fake news, com manipulação. Nossa oposição não tem princípios, ou melhor, tem, mas são principios completamente retrógrados, que chegam ao ponto quase da loucura, com afirmações como a Terra ser plana, de negar o aquecimento global, negação da ciência, enfim, temos muitos campos para atuar tentando com nossa posição e debate trazer um pouco de luz.

SFF: Na sua opinião, como o Santos Film Fest agrega no cenário do cinema nacional?

PB: Santos é uma cidade muito especial, só em Santos poderia um festival de cinema abrir sua quinta edição adotando esse lema, da resistência declarada e aberta, de peito aberto. É belíssima essa atitude do festival de Santos e eu fico muito feliz também pelo fato de estarem passando três filmes que eu participo, dois como diretor e um como ator, e também pelo fato do festival estar me homenageando, o que eu acho que aquece o coração e me dá alegria, porque eu tenho uma imensa admiração por Santos, um dos filmes que vai ser exibido, Cafundó, é direção do santista Clóvis Bueno comigo, dividimos a direção, mas o Clóvis teve uma atuação esplendorosa no filme, o tipo de coisa que eu posso dizer que foi um jogo de futebol em que jogamos juntos e ganhamos, fizemos um filme lindo. Mas o artilheiro foi o Clóvis, que fez um trabalho de direção de arte íncrivel, junto com a Vera Hamburger, escreveu um belo roteiro e tinha uma paixão grande pelo assunto também

SFF: Qual seria a sua mensagem para a nova geração?

PB: Como dizia a música: “É preciso estar atento e forte!”

Entrevista cedida no dia 29/09/2020

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: